23 November, 2017, Thursday

Resenha crítica do disco "insular" de Humberto Gessiger por Sandro Vieira

Publicado em Lançamentos Escrito por  Sandro Vieira EACH USP Dezembro 25 2014 tamanho da fonte diminuir o tamanho da fonte aumentar o tamanho da fonte 0
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Resenha crítica do disco "Insular" de Humberto Gessinger

Sempre considerei os Engenheiros do Havaí como a banda mais injustiçada do rock nacional. E desde que os vi pela primeira vez ao vivo, num show da turnê do disco "o Papa é pop", lá pelo início dos anos 90, procuro entender o porquê de tamanha birra por parte de público e crítica.

O primeiro disco, lançado em 1986, sob o título de "Longe demais das Capitais", pode explicar parte disso. Enquanto a maioria das bandas que estourava no cenário nacional dessa época, nasceu ou se mudou para o eixo Rio-São Paulo, os Engenheiros permaneceram no Sul até os anos 90, inclusive, sempre inserindo nas músicas ou letras, detalhes da identidade gaúcha. Isso nunca pegou bem junto aos críticos e a mídia em geral, pois de certa forma, dificultava o acesso e consequentemente, a exposição.

Ainda assim, a banda seguiu em frente e permaneceu fazendo bons discos. Em 1992, veio o último com a formação clássica, e desde então, os Engenheiros do Havaí vem sendo uma espécie de "banda de um homem só", com o vocalista Humberto Gessinger contratando e descontratando músicos diferentes à cada novo disco, a cada nova turnê.

Mas foi somente no ano passado, que Humberto finalmente lançou um álbum solo, não como Engenheiros do Havaí, mas sim, como Humberto Gessinger. Não sei dizer até que ponto, um disco lançado como "solo" faz muita diferença numa situação dessa, e como o próprio Humberto disse em entrevista, talvez nem ele sabe e isso parece pouco importar, pois o resultado foi mais um ótimo disco.

Sob o título de "Insular", o disco pode ser considerado por uma espécie de passeio por vários discos da banda, tanto na musicalidade, quanto nas letras. São 12 faixas que carregam traços dos discos "Tchau Radar", "Várias Variáveis", "A revolta dos Dandis", "O papa é pop".

Com produção do próprio Humberto e com participações especiais dos músicos Luis Carlos Borges, Bebeto Alves, Nico Nicolaiewsky e Frank Solari, o disco é daqueles que você não quer parar de ouvir.Logo de início já é impossível não escolher algumas preferidas, que podem variar muito a cada nova audição, com destaque para "Segura a Onda Dorian Gray" e "Sua graça".

As letras também remetem às canções antigas, mas sem precisar apelar pra nostalgia, como por exemplo na letra de "Tchau Radar, a canção". Esta, que pra mim é uma das melhores faixas do disco, traz ainda em seus versos (abaixo), mais uma provável resposta a minha eterna dúvida citada no início do texto:

"Fica pra outro dia
Ser uma obra-prima
Que não fede nem cheira
Não fode e nem sai de cima
Fica pra outra hora
Ser um cara importante
Se quem importa, não se importa
Tchau radar, vamos adiante"

Por essas e outras, e independente das críticas, considero os Engenheiros, como uma das maiores bandas de rock nacional. Vida longa ao Humberto, vida longa aos Engenheiros do Havaí!

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