23 November, 2017, Thursday

O Terno veste Arnaldo e o Loki 1974, no Sesc Santana Destaque

Publicado em Shows Escrito por  Dezembro 24 2014 tamanho da fonte diminuir o tamanho da fonte aumentar o tamanho da fonte 0
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Num sábado despretensioso próximo de natal, este sempre com clichês mercadológicos e monótonos, eis que uma bela surpresa nos arrefece com uma bela revisitada e pesquisa musical – o Projeto 74 Rotações – SESC Santana, nesse em particular o rarefeito 'Loki' do Arnaldo Baptista, na íntegra e, quase beirando o original.

Um grupo de garotos lembrando muito os prodígios quando pequenos também, Os Mutantes, na fase mais sublime e inocente da banda. Mas, o assunto é o grupo O Terno e sua reinvestida no clássico, seminal e insuperável álbum de 1974, a proposta era essa mesma.

Os três integrantes numa espécie 'the Power trio' – a aura das grandes bandas sessentistas – fizeram uma catarse entre todos na platéia, até numa clara pretensão de dizer que se esforçaram – segundo Gabriel Milliet, ex-do grupo e atual Memórias de Caramujo – os caras estão treinando demais.

Ficou evidenciada a sintonia com a obra 'arnaldiana' – são poucos que se atrevem mexer no ínfimo mergulho do ex-mutante, mais causticante dos três – no arquétipo de seus mitos e dissabores de que tanto sentencia nessa fase, que, aliás, obras melancólicas contêm riquezas mais reveladoras e alentadoras na revisão interior de cada ser humano.

Os três integrantes – um Pereirinha filho do Pereirão, o Maurício Pereira ex-Mulheres Negras – mostram que tem intimidade com a musicalidade sessentista e setentista – já havia visto um com Lucia Turnbull – ex-Cilibrinas do Éden com Rita Lee – no rock na Vitrine, do resistente e referência, talvez única, Luis Calanca.

Passam por todas as faixas, na sequência exata do álbum, mas, a sublime Será que vou virar bolor (o vocalista brinca que não gosta do Artic Monkeis, alusão ao original com Alice Cooper), Cê ta pensando que sou loki e a existencialista – mas, todas o são! - Nagevar de Novo, que primam pelo momento de êxtase divino, onde eles mesmos reverenciam o mestre o tempo todo. Um grande trabalho de pesquisa fica nítido até em leituras bibliográficas que fizeram – A Divina Comédia dos Mutantes - Carlos Calado- foi mencionada por Tim durante o show e, também, citada e concorrendo na Rolling Stones no ano – moçada criativa, antenada e revigorando um mito, um gênio e o álbum considerado pela crítica especializada, também idéia clara, não? – como um dos dez maiores da música popular brasileira. Ainda fizeram mais duas, o choro é livre, uma delas 'Beijo exagerado' lisergia pura dos Mutantes no País dos Baurets. O Terno tem a formação com Tim Bernardes guitarra/voz, Guilherme d'Almeida (não é aquele modernista, mas, o nome faz bem!) e Victor Chaves bateria.

NORBERTO V2 (Bibliotecário especialista em Arquivística, Colecionador e Coordenador de projetos sócio/culturais e Agente educador/Animador cultural).

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