27 May, 2017, Saturday

Fique por dentro do voo do Barão Vermelho

Publicado em História do Rock Escrito por  Fevereiro 05 2016 tamanho da fonte diminuir o tamanho da fonte aumentar o tamanho da fonte 0
Avalie este item
(0 votos)

Banda formada em 1981, por dois amigos: Mauricio Barros e Guto. Estes jovens, de apenas 17 e 19 anos respectivamente, sonhavam em ser estrelas do rock. A idéia do nome partiu de Guto, que sugeriu que fosse batizado pelo codinome do maior inimigo dos aliados na primeira guerra mundial, “Manfred Von Richthofen”, Barão Vermelho.

 Para que um sonho do tamanho desse porte fosse realizado, era necessário muita dedicação e esforço, e foi exatamente isso que aconteceu, os dois ensaiaram bastante, fizeram os primeiros rabiscos das letras e conseguiram uma apresentação para um pouco de mais de um mês e meio. Como uma banda de rock precisa não somente de um baterista e um tecladista, mais sim de outros integrantes, foram atrás outros músicos para compor o grupo. O próximo a integrar o conjunto foi o baixista “Dé”, de apenas 15 anos, vindo na seqüência o guitarrista “Roberto Frejat”, de 19 anos, que prometeu só fazer esse show, pois já tocava em outras bandas. Nesse momento ficava faltando apenas o vocalista. Por indicação de “Léo Guarabara”, que viria a ser conhecido por “Léo Jaime”, chegaram até Cazuza, que fez um teste e todo mundo adorou. Estava formada então uma das maiores bandas de rock nacional, o “Barão Vermelho”.

A formação era: Agenor de Miranda Araújo Neto (Cazuza, Rio de janeiro 04/04/58, vocal), Roberto Frejat (Rio de janeiro, 21/05/62, vocal e guitarra), André Palmeira Cunha (Dé, Rio de Janeiro, 04/06/65, baixo), Maurício Carvalho de Barros (Rio de Janeiro, 08/04/64, teclados) e Flávio Augusto Goffi Marquesini (Guto. Rio de Janeiro, 09/08/62, bateria)

A apresentação aconteceria no mês de novembro na “Feira da Providência” no Riocentro. Haviam ensaiado oito músicas, mas as expectativas acabaram sendo um desastre, o local não tinha sequer sistema de som adequado. O desastre teve efeito contrário, pois até mesmo “Frejat” que tinha dito que faria somente aquela apresentação já estava contaminado, sentia algo diferente nesse grupo, mas esse sentimento era concomitante entre todos os músicos.

Cazuza que já escrevia poesias sugeriu aos amigos se poderia dar uma mexida nas letras das musicas, o que ninguém se opôs e, a partir dali, em parceria com Frejat, faziam composições que se tornariam grandes clássicos do rock nacional.

A estréia do barão para um grande público ocorreu no dia 05 de fevereiro de 1982, no Circo voador, casa que até então não tinha nem palco, mais se tornaria a mais importante do Rio de Janeiro.

No mesmo ano, mesmo a contragosto do pai de Cazuza, João Araújo que dirigia a gravadora, assinam com a Som Livre.

Em outubro de 82, lançam o LP Barão Vermelho, gravado em apenas quatro dias, 15,16, 22 e 23 de maio daquele ano, sendo que a música “Down em mim” foi a escolhida para tocar na novela das 7, “Final Feliz”. O disco foi lançado no dia 27 de setembro, mais não foi bem produzido e não chegou a vender dez mil cópias.

O álbum seguinte seria mais profissional, o Barão convidou o inglês “Andy Mills” para co-produzir o disco com “Ezequiel Neves”. Contrataram “Peninha” para colocar percussão na canção “Manhã sem sonho”. Mesmo com todas as melhorias o disco passa despercebido, até que Ney Mato-grosso regrava com sucesso uma de suas faixas, "Pro Dia Nascer Feliz". Logo, todos queriam saber quem é o “Barão Vermelho”. Assim, a versão original se transforma no primeiro grande sucesso, as rádios passam a executar e se transforma em seu primeiro hit.

O “Barão” é convidado para atuar em um longa-metragem. Cazuza e Frejat são os responsáveis pela faixa-título e gravam a canção-tema no estúdio Transamérica, assim nasceu à canção "Bete Balanço", o maior sucesso radiofônico da banda.

Em 1984 assinam contrato com a gravadora “Opus”. Em setembro do mesmo ano é Lançado o LP “Maior abandonado”, que impulsionado com o hit “Bete Balanço”, vende 20 mil cópias antecipadamente, 60 mil até o mês de dezembro.

Em janeiro de 1985 o Barão participa de um momento histórico político, o fim do regime militar, canta “Pro dia nascer feliz” dando as boas vindas à Nova República, “Que o dia nasça feliz para todo mundo amanhã. Em um Brasil novo, uma rapaziada esperta. Valeu!”, agradeceu o cantor.

Mesmo o Barão chegando ao sucesso Cazuza já vinha mostrando insatisfação e vontade de sair. Acabou acontecendo no dia 27 de julho de 1985, foi quando em uma reunião, Cazuza anuncia que deixava a banda.

Cazuza não era somente o vocalista, mais o principal letrista e o mais criativo. Foi o momento mais difícil do Barão, o disco “Declare Guerra”, primeiro álbum do grupo sem Cazuza, mesmo com várias participações é um fracasso comercial. Para piorar, no final de 1986 são dispensados pela gravadora Opus.

São contratados pela “Warner” e é lançado o disco “Rock'N'Geral”, em 1987, que foi outro fracasso de vendas, chegando a ser pior que o álbum de estréia.

Em 1988 Maurício Barros sai antes das gravações de “Carnaval”, o disco teve repercussão melhor que o anterior, por conta da música “Pense e Dance” que entrou na programação da novela "Vale Tudo" e assim consegue boas vendagens e tocou bastante nas rádios.

Em junho de 1989, é gravado na “Danceteria Damaxoc”, em São Paulo, o Disco “Barão ao Vivo”, mostrando toda a garra e a competência de um rock cru, do jeito que tem que ser.

Em 90, o Barão toca na segunda edição do Hollywood Rock. Ainda nesse ano, Dé, que não andava satisfeito e tinha constantes desentendimentos com Guto e Frejat, deixa a banda e é substituído por Dadi (ex-A Cor Do Som, ex-Novos Baianos), com somente dois dos integrantes originais, o grupo incorpora mais dois novos integrantes: Fernando Magalhães (Rio de Janeiro, 21/04/64, guitarra) e Paulo Pizziali (Peninha, Rio de janeiro, 1/06/90, percussão).

Buscando novas formas de composição é lançado, em setembro, “Na Calada Da Noite”, um LP com mais ênfase no lado acústico da banda. O disco chegou às lojas em agosto de 1990 e o Barão saiu em turnê. Essa turnê “Na Calada da Noite” marcou a volta de Maurício Barros em outubro, com o primeiro show acontecendo no Olympia em São Paulo. Nesse disco estava à música "O Poeta está Vivo", em homenagem a Cazuza, que viria a morrer meses depois.

Passariam dois anos até a gravação do novo disco "Supermercados da Vida", onde manteriam a opção acústica e gravariam "Pedra, Flor e Espinho", a bela "Flores do Mal" e a radiofônica “Fúria e Folia”, de “Jorge Salomão e “Frejat”. Outra mudança tinha acontecido, “Dadi” deixou a banda para tocar com “Caetano Veloso” e foi substituído por “Rodrigo Santos” (Rodrigo de Castro Santos). Para comemorar os dez anos de existência saem em turnê “Dez Anos de Rock’n’Roll”.

Passaram-se novamente dois anos até a gravação do novo disco "Carne Crua", mais elétrico e mais pesado, influenciados pelo hard-rock ou a música grunge que dominava o mercado, mas a música de maior sucesso foi a balada “Meus Bons Amigos”, parceria de “Fernando Magalhães”, “Guto Goffi” e “Mauricio Barros”. Destaque também para a faixa "Pergunte ao Tio José, letra inédita de “Raul Seixas, presenteada para ex-esposa “Kika Seixas”.

Em 1996 resolveram gravar apenas músicas de outros compositores e que seus integrantes ouviam em determinados momentos de suas vidas, como "Vem Quente Que Estou Fervendo" (Jovem Guarda), "Perdidos na Selva" (New Wave), “Jardins da Babilônia”, “Amor meu grande amor” de “Anna Terra e Ângela Rô Rô’ e “Malandragem dá um tempo” de “Bezerra da Silva”. Além de dar vitalidade, modernização e sonoridade diferente as canções, o CD vinha com algo inédito, uma faixa multimídia, onde falam das músicas do álbum e outros assuntos

Depois do grunge e do hard-rock a banda lança em 1998 o álbum "Puro Êxtase", influenciados dessa vez pela música eletrônica, deixando o rock um pouco de lado. Houve uma boa aceitação por parte do público, chegando a vender 180 mil cópias e a música “Por você” fez grande sucesso se tornando um hit da banda.

Decididos a encerrar temporariamente as atividades, resolvem gravar um disco apenas de baladas, entram no “Estúdio Light”, em São Paulo, no dia treze de outubro de 1999, para a gravação. Fazem nova turnê que demoraria dois anos, até que em 13 de janeiro de 2001, depois de se apresentarem-se no Rock in Rio III, como haviam combinado antes, assim como “Manfred Von Richthofen” o “Barão” uma hora ia encerrar seus vôos.

Em 2004 o Barão Vermelho se reúne novamente e lança um novo álbum ao vivo intitulado "Barão Vermelho", com o puro rock’n’roll do início da carreira, gravado pelo Programa MTV ao vivo nos dias 19 e 20 de agosto de 2005 no Circo Voador, incluindo "hits" como "Cuidado" e "A Chave da Porta da Frente". No dia 12 de janeiro de 2007 a banda faz seu último show no Rio de Janeiro. Seus integrantes passaram a dedicar-se a projetos solos.

Referência: NEVES, Ezequiel; GOFFI, Guto; PINTO, Rodrigo. Barão Vermelho: por que a gente é assim. São Paulo (SP): Globo, 2007. 308 p. ISBN 978852504387X.

Ler 70 vezes Última modificação em Última modificação em Agosto 22 2016

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.

Custom Adv 2
photo.jpg