18 November, 2017, Saturday

Coluna de uma fã golpista!

Publicado em Notícias Escrito por  Jojo Beat Vieira Janeiro 04 2015 tamanho da fonte diminuir o tamanho da fonte aumentar o tamanho da fonte 0
Avalie este item
(0 votos)

Texto, de uma fã declarada e rocker que viveu todo o período de rock do ABC, 97 e o Jota Erre. O texto relembra tudo isso do Golpe!

Visceral é pouco!

O som que sai da fumaça é o que me tirava da cadeira e que agitava também toda a galera dos becos, bares, centros culturais e espaços mais alternativos da cidade de São Paulo nos idos dos anos 80.
Golpe de Estado promoveu um verdadeiro estado de sítio no rock e alimentou o público sedento por uma identificação no cenário musical, pelo menos na sua vertente, tanto é que era saudado com alegria e emoção pelas rádios especializadas em rock.

Lembro-me com saudades das inúmeras vezes em que Jota Erre, o locutor símbolo da FMColuna de  97 (falecido em 2012) conclamava o undergroud com honrarias, afinal digna de um tapete vermelho.
Lançado em 1986, com traços do panorama social, econômico e político da época, e ainda instigando um comportamento rebelde, mas consciente, o Golpe de Estado impunha suas letras com musicalidade e sabedoria.

Adquiri o vinil e ouvi até o talo na voz rouca e pungente de Catalau. Até minha vizinhança era agraciada pelo meu banquete sonoro. Rock se ouve assim. E o que é bom deve ser disseminado, jamais massificado.

"Pra conferir" é uma música que faz a releitura do rock nacional, é iniciada pela citação do magnífico "Tudo foi feito pelo sol" de Sérgio Dias, seguido pelo maluco beleza, Barão vermelho e nem mesmo Caetano ficou fora dessa com seu London London, isso é que chamo de gran finale. "Libertação feminina" parece um convite bem sacana, não pela linguagem atrevida do roqueiro, mas pela própria sonoridade, junto as palavras. O mesmo eu diria em "Sem ser vulgar", que é seguida quase que como uma continuação da música anterior.

Já em "Olhos de guerra" a pegada é outra é lírica, o poeta roqueiro manda o recado que vem como um choro de criança e suplica por paz e conclui pegando carona no mesmo tema com "Aqui na terra", só que desta vez com sons da natureza imitado com perfeição em voz e instrumentos. Será um pedido de socorro ou um puxão de orelhas dado com muita maestria?

Não bastasse o som eu tinha que conhecer de perto todo aquele furor no palco, na verdade o vocalista da banda era fundamentalmente um processador de idéias numa verdadeira turbulência de corpo e alma. Suas provocações levava o público ao delírio embalado pelas batidas de Salém que o mestre Paulo Zinner mandava com perfeição.

Outro expoente da banda eram Hélcio Aguirra ex-integrante do Harpia que se juntou aos amigos roqueiros e trouxe sua guitarra causticante ao hard rock produzindo um som inigualável ao cenário. O baixo de Nelson Brito dava o tom grave necessário para a velha mistura de blues e heavy metal assim deleitava-se a mais louca noite de balada.

Acompanhei a banda durante toda jornada e sempre com casas lotadas, muita doidera, rock, suor e cerveja talvez outros artigos, também, mas ninguém ficava intacto porque as cabeleiras varriam as caras e caretas, sem contar quase dez discos lançados, assim era o Golpe de Estado.

Sua trajetória foi intensa e teve diversas alterações a partir da saída de Catalau que foi substituído por Rogério Fernandes, Kiko Miller e mais tarde por Dino Linardi. Outra fera a deixar o grupo foi Paulo Zinner que cedeu lugar ao Roby Pontes.

Diante das mudanças, sem dúvida a mais dolorida e talvez a incurável foi a perda de Hélcio Aguirra, que nos deixou no início de 2014 provavelmente vitimado por um enfarto fulminante.

Para quem, como eu que acompanhou a banda é difícil não fazer comparações com os integrantes originais, porém os meninos estão se esforçando para manter a mesma sacada alucinante.

Em tempos de democracia em que a indústria cultural faz a festa e o cenário do rock é outro, espero ainda o pulsar do canhão do rock um novo trabalho do Golpe de Estado para aliviar a hiper galera do céu, como diria Jota Erre.

JOJO BEAT VIEIRA (NEWS BIBLIOTECÁRIA, EDUCADORA, ROCKER E AGENTE CULTURAL).

Ler 88 vezes Última modificação em Última modificação em Agosto 22 2016

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.

Custom Adv 2
legiao.jpg