18 November, 2017, Saturday

RESENHA DO DISCO DE RITA LEE 1972 - HOJE É O PRIMEIRO DIA DO RESTO DA SUA VIDA

Publicado em Notícias Escrito por  Janeiro 13 2015 tamanho da fonte diminuir o tamanho da fonte aumentar o tamanho da fonte 0
Avalie este item
(0 votos)

Na boa fase que estavam os meninos da Pompéia, claro que tudo soa Mutantes, lisérgico por ali, mas, sem ser insuflador voraz e apreciador das inúmeras introspecções desse álbum, a transposição de idéias, desconstruções poéticas e mitos se solidificam num estado de consciente imaginário de toda uma bancada de rockers, que na verdade encontravam referência e o enigma desse álbum, de certo mutantológico para todos.

Por problemas de gravadora na época, me parece a Eldorado e gravação de estúdio, é que o álbum ficou com alcunha da Rita, mas, com sensação e vibrações todas dos Mutantes, imperceptível apenas para quem não conhecia o toque Arnaldiano, a guitarra Sergiana e o portal rítmico Ritalliano.

rita lee restoSe Aldous Huxley reinaugura-se o seu 'Portas da Percepção' – celebre obra do autor ativista interlocutor de introspecções de portais da mente humana - bem como William Blake celebra-se de novo o casamento, ou divórcio litigioso do céu e o inferno.

Vamos tratar da saúde abri o disco 'chá' celebrando a condição miserável e deformadora da sociedade setentista, numa finesse inconteste da distorção vocal da Rita, e até estética na capa.Maldições, aliterações e mescalinóides poéticas a parte, o disco realmente é um chá para o deus do vinho, Baco, beber e se embriagar numa praia paulistana com um amor em Branco e Preto – a preferência pelo escudeiro do Parque São Jorge, pelo menos a Rita sempre deixou certo.

No ritmo bolerão piegas o Beija-me, amor - alucina e impulsiona o mestre Arnaldo a dilacerar consonâncias fonéticas e soprar o chá que vai equalizando no disco.

Daí pra frente vem à faixa título na gênese funesta com o Hoje será o primeiro dia do resto de sua vida e outras pérolas como Teimosa e a irradiante Fica comigo.

A Rita continua a levada apocalíptica new gênese com o enlace do Meu bom José e sua Maria...

No momento Dias guitars e agudos sergianos vem à experimental Tupupukitipa – será que Leminsk pensou nela em Catatau? - e o pasto, o campo e os zebus no Tiroleite alucinógeno.

Mas, a sublimação ainda estava por vir na Superfície do Planeta – anos mais tarde gravada por Paulo Miklos numa coletânea Sanguinho Novo - num recital interplanetário por um, será tenor? - arrebatador chamado Serginho Dias.

Demais, aforador de sistemas da psique – talvez Freud meio Zappa – impensável de não ouvi-lo, como também insensatez do destino Arnaldo questionar, bem antes do Loki, se no final do Primeiro dia do resto de sua vida sair: CE TÁ ENTENDENDO?...

Musicos que participaram do disco: Ronaldo Leme ''Dinho'' (Bateria), Arnolpho Lima ''Liminha'' (Baixo), Sergio Dias Baptista (Guitarra) e Arnaldo Baptista (Teclados)

NORBERTO V2 (bibliotecário especialista em Arquivística, Colecionador, Coordenador de Projetos Sócio/educativo-culturais do CEU Parelheiros e Agente educador/Animador cultural).

Ler 98 vezes Última modificação em Última modificação em Agosto 22 2016

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.

Custom Adv 2
replicantes.jpg