18 November, 2017, Saturday

Sim, nós tivemos o nosso Woodstock

Publicado em Notícias Escrito por  Jair Dantas Janeiro 21 2015 tamanho da fonte diminuir o tamanho da fonte aumentar o tamanho da fonte Mídia 0
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Nesse mês de janeiro comemora-se 30 anos do primeiro Rock'n'Rio e há destaque em vários setores da mídia para a data desse evento. A Usina do Rock prefere focar no que foi chamado no período, pela revista Pop, como o "Woodstock Brasileiro", que completa 40 anos desde que aconteceu o primeiro pela primeira vez.

A década de 70 foi um período delicado e complicado para a cultura e a arte com músicas e discos censurados, pouco ou quase nada de apoio da mídia e das gravadoras com relação ao rock. Diante de todas estas dificuldades encontradas, ainda aconteceu o Woodstock brasileiro.

Em tempos de repressão, a ditadura militar tinha extremo controle da cultura, da moda, dos atos e pensamentos das pessoas, além de fortes parcerias junto aos meios de comunicação mais importante e conhecidos. Com todos esses fatores agindo de forma desfavorável, ainda assim a contracultura se fez presente na metade da década de 70, com um evento de grandeza inédita no Brasil.

Tudo começou com a ideia de um jovem artista, Antônio Checchin Junior, o "Leivinha, e de seu grupo, "Nushkurallah", formado por 15 pessoas que tocavam, curtiam e faziam teatro. Depois de voltar de suas viagens, Leivinha teve a ideia de representar uma peça de teatro em pleno ar livre; foi ai que a coisa começou realmente a acontecer, e interessados foram aparecendo.

O organizador Leivinha tinha apenas 22 anos quando resolveu fazer o evento, mas a maior dificuldade foi conseguir a liberação. Depois de 45 dias de idas e vindas na Secretaria de Segurança, com instrução de Erasmo Dias, ele foi para o Departamento de Ordem Política e Social (Dops), onde assinou um termo de responsabilidade, ficando a seu cargo qualquer ato de subversão que acontecesse durante o evento.

A revista Pop de março daquele ano chegou até ironizar - "E, para cuidar dos interesses dos que eventualmente se envolvessem em problemas com a lei, no alto de um morro estava armada uma barraca, com a tabuleta na frente: 'Penas Advocacia' – escritório que foi à falência no segundo dia, por absoluta falta de clientes".

Depois de conseguir a liberação, foi à vez de outro fator importante deixar tensos os organizadores - "se o evento ia dar certo ou não" - e o que ninguém previa foi o que aconteceu, uma semana antes, pessoas já começavam aportar na cidade. Teve gente que viajou centenas de quilômetros e de todas as formas, trem, carro, moto, ônibus, carona, a pé; teve mochileiro que chegou dias antes, ficando o evento bem maior do que o previsto. Segundo a revista POP, foram mais de 15 mil pessoas durante os três dias, de 17 a 20 de janeiro de 1975.

Milhares de barracas e acampamentos, pessoas de todos os lugares do Brasil, tudo ao ar livre, natureza, muito sol e banho no córrego para se refrescar. Alguns completamente nus, vivendo a liberdade que o repressor sistema tanto combatia.

Durante o dia o calor era intenso, por este motivo as apresentações só aconteciam durante a noite.

Na sexta-feira, ás 20h30, deu-se o início às apresentações em cima de um palco com 18x9m, equipamento com 5000 wats de potência, som alto e muito rock'n'roll, que ficou sob responsabilidade de vários conjuntos que tocaram noite adentro. A abertura ficou ao cargo de "Dan Rock-a-Billy", tocaram ainda "Sacrament's", "Pedra", "Corpus", "Cogumelo", "Toni Osanah", "Movimento Parado" e, a lenda do heavy metal nacional, "Rock da Mortalha". Já havia clareado quando veio acabar esse primeiro dia do festival, às 6 da manhã.

No sábado teve outras grandes apresentações como "Liberta", "Eclipse", "Dez mandamentos", "Phoenix", "Acam", "orquestra Azul", "A Chave", "Jazzco", "Terreno Baldio", "Burmah e "Apokalipsis". Esse conjunto fazia um rock'n'roll para não deixar nada a dever para nenhuma banda gringa e encerrou o evento no sábado já de dia, tocando o hino "Liberdade".

No domingo ainda teve outros conjuntos de peso como "O Som Nosso de Cada Dia", Flying Banana", "Grupo Acaru", "Tibet", "Moto Perpétuo" (fundada em 1973 pelo cantor e compositor Guilherme Arantes), "Mutantes" na sua fase progressiva, "Walter Franco" e o encerramento ficou com o "O Terço".

Três dias de paz e amor, sem nenhuma confusão, boas lembranças, solidariedade de todos os que estavam presentes, e claro, muito Rock'n'roll tupiniquim.

Pode não ser lembrado com frequência pelos meios de comunicação, mas foi o que mais perto tivemos de um "Woodstock", ou "Quermesse" como disse o próprio Leivinha.

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