27 May, 2017, Saturday

“Redson (1962-2011)”

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"Assim é que vive, como um animal
nas ruas escuras, matando a pau
a noite é deles, do ébrio vagal
da mulher do muro, do homossexual
subúrbio geral, subúrbio geral"

Subúrbio Geral – Cólera

Moleque ainda descobri o punk rock. As informações difusas na virada dos anos 70 para os 80, chegavam no Brasil muito misturadas. Imaginem na suburbana São Bernardo do Campo. Intuia o punk rock com discos emprestados, fitas cassete e poucos programas de rádio, como o do Kid Vinil na extinta Rádio Excelsior. As ruas ensinavam o que era o punk. As histórias colhidas nas lojas, nos pontos de encontros da rockeirada (misturados punks e rockers), amadorismo, improviso e descobertas, várias. Discos minguados que rodavam em várias mãos e vitrolas, voltavam riscados ao dono, quando voltavam, junto com as desculpas esfarrapadas.

Um das lendas, para alguns nem tanto lenda , eram a tretas ABC x City (Sampa). As conversas sobre brigas nos trens e nas estações de metrô (especialmente a São Bento), Madame Satã (isso mais tarde) e outros cantos alternativos da cidade. Quem não tava ao vivo ouvia os fatos e exageros, curtia e duvidava, quem tava ficava com ônus dos perigos e com o bônus da história. As brigas eram reais e nem sempre românticas. Os entreveros recheiam imaginário de muitos saudosos até o presente. Usos e efeitos colaterais da industria cultural.

Neste começo de madrugada (28/09/2011) chega a notícia da morte de um dos ativos artíficies da historia do punk rock no Brasil, Edson Lopes Pozzi, o Redson, vocalista e fundador do Cólera, saído do Capão Redondo, fundos da zona sul. Ele era um "punk da City", longe do ABC. Claro, subúrbio é subúrbio, geral, ABC ou City, hoje enxergamos isso com mais clareza, na época era barreira. Então, o Cólera (Redson, Pierre e Val) nos chegou em disco – os shows já eram falados – com o Grito Suburbano em 1982. Muitos caras do ABC curtiam o Cólera (alguns marrentos, escondidos). O bairrismo sucumbia à música.

Depois de 1982, foram anos de estrada, 10 discos, e neste momento (2011), eles rodavam outras estradas com o show "30 Anos Sem Parar!". O punk rock eclodiu na metade da década de 70 para negar os heróis , os Stranglers (banda inglesa de Guilford) cantava "No more heroes, anymore" , mas os heróis não são solapados da história com canções e intenções. Este mesmo punk, por mais que uma histeria negue, faz parte da história da música brasileira. Redson é parte expressiva desse capítulo. Herói ou não, ele meteu a voz e a guitarra no cancioneiro popular, mesmo que não tenha sido convidado, e deixa lacuna...foi ele mesmo quem fez!

Dedico este post ao velho camarada Betão, grande fã do Cólera.

Matéria gentilmente cedida por: Ricardo Queiroz

Fonte: Revista Klaxon

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Ler 51 vezes Última modificação em Agosto 22 2016

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